Meus hérois morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder.

Como seria se o poeta, cantor e compositor Agenor de Miranda Araújo Neto, nosso querido Cazuza, falecido tão precocemente em 1990, estivesse vivo para presenciar sua profecia.

Meus heróis morreram de overdose. Overdose é a sequência de doses exageradas ou excessiva de algo que domina, adoece, atropela, enfraquece, sobe ao cérebro e mata. Tratando-se das questões políticas e administrativas do nosso País, incluindo as três esferas de governo, é exatamente a situação que vivemos e presenciamos hoje.

A overdose do poder pelo poder; da posse e do domínio das benesses por ele proporcionado levou muitos de nossos heróis a sucumbirem: uns estão presos, outros denunciados, outros apegados a uma aberração chamada de “foro privilegiado” para tentar escapar da lei, e outros ainda estão dormindo sob a ação de antidepressivos, temendo o resultado das sentenças judiciais que podem vir por aí. A grande verdade é que não há mais como esconder a verdade! Chega de tanto esconder, chega de fazer de conta que não sabe, de mentir sabendo que está mentindo. Chega de buscar justificativas para o injustificável. Gente: chega de ser besta!

É lamentável ver e ouvir as mais diversas justificativas, tanto dos “meus heróis”, quanto dos seus súditos, como também dos “meus inimigos”. “Sou inocente”; “é perseguição”; “eu não sabia”; “esse prédio não é meu”; “essa mala de dinheiro não me pertence”; “eu não conheço este empresário”; “ele está mentindo”; “esse juiz é do partido a”; “esse procurador que me difamar”; “todo dinheiro que nos deram foi declarado e aprovado pela justiça eleitoral”; “ele é um canalha, falou a verdade”; “é a emissora de TV”; “a justiça só ficou para o nosso lado, o outro lado não é punido”.

O jogo sujo do poder pelo poder é tão grande que os valores se invertem de acordo com a situação. Se me interessa, é verdade, se não, é mentira, esse delator não tem provas, está mentindo. E assim vai se tratando a população brasileira como imbecis.

Por outro lado, os nossos “inimigos estão no poder”. Mas, quem os colocou lá?  A população? Não! Eles são frutos da overdose de poder dos “nossos heróis”; o que acontece é que os “nossos inimigos” foram e são mais sábios, deram corda e puxaram o tapete na hora exata, fazendo valer a letra romântica de um outro poeta de nossa música brasileira. “Eu pensei que sabia de tudo, que entendia de tudo, mais agora eu sei quem sabe menos das coisas, sabe muito mais que eu”!

Eu estou vendo, com muita tristeza, para as eleições do próximo ano, a reedição de um filme exibido nas eleições estaduais de 1990, quando os aliados e defensores do velho “malvadeza” diziam em alto e bom tom: “ele rouba mais faz”!

Será?

Vou pagar pra vê.

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